A História de Apenas um Qualquer. Capitulo III

O Ninho De Mafagafos



"Num ninho de mafagafos, cinco mafagafinhos há. Quem os desmafagafizer, bom desmafagafizador será!".

Durante a minha baixa infância* ouvi esse trava-língua inúmeras vezes das mais diversas fontes. Dessa forma, desde cedo nutri um irresistível desejo de um bom desmafagafizador ser.

No entanto, antes de sê-lo eu precisaria dominar a arte da desmafagafização, tarefa que seria impossível se, antes de tudo, eu não soubesse o que raios eram os mafagafos.

Embora nunca tivesse ouvido uma boa resposta para essa questão, eu não estava disposto a aceitar a escapista desculpa de que eles não existiam. Eu já havia topado com outras criaturas ditas "inexistentes", como o Coelhinho da Páscoa (post do dia 18) e o Papai Noel, e sabia que eram reais (podiam não ser exatamente o que diziam ser, mas eram reais).

Partindo desse pressuposto, vasculhei toda a literatura disponível em minha casa atrás de pistas da exótica criatura. Tudo em vão, pois além de ser analfabeto e depender de gravuras como referência, não havia muitas figuras de animais exóticos com as quais trabalhar. Aquelas que encontrei não passaram pelo crivo das análises minuciosas que pedi aos meus pais.

Não havia alternativa senão sair sozinho em busca do misterioso ente mundo afora (mundo que englobava tudo em um raio de cem metros da minha casa). Como eu não sabia se os mafagafos eram répteis, anfíbios, moluscos, aves, ou outra classe de criatura, e como não fazia a mínima idéia do que eram répteis, anfíbios ou moluscos, presumi inocentemente que eram aves.

Não houve árvore nas redondezas que não tivesse sido alvo de minha curiosidade científica. Vasculhei cada centímetro quadrado do território, mas nunca os encontrei, apesar de minha frenética busca.

Ficou-me claro então, depois de meu fracasso, porque desmafagafizar esses animais era tarefa tão ilustre que daria o título de bom desmafagafizador ao seu realizador. A resposta é que ninguém podia fazê-lo! Não havia criatura humana que soubesse onde encontrá-los para então desmafagafizá-los. Compreendi que a busca pelos mafagafos estava para a zoologia, assim como a busca pelo Santo Graal estava para a arqueologia.

Mas eu ainda acredito que os mafagafos estão por aí, escondidos dos olhos do homem moderno. Pode ser que sintam medo de nossa espécie e se afastem (atitude que eu definiria como sinal de inteligência) ou simplesmente morem em algum lugar inacessível. Talvez até morem onde moram os unicórnios, quem sabe.



*Divido minha infância em baixa (0-3 anos), média (4-7 anos) e alta (8-11 anos), para fins de enquadramento histórico.

1 comentário

missilene em 6 de maio de 2011 01:47

quando eu era criança, fiquei horrorizada ao ver pela primeira vez uma imagem de um ornitorrinco em um livro, na época pensei que fosse o bichinho de estimação do Frankenstein... crianças...

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