O Coral

Meus móveis andavam cada vez mais rebeldes. Depois do dia em que tivemos aquela séria conversa e eu ameacei trocar de casa*, percebi que ouve uma súbita melhora da situação, mas como tudo sempre tende a retornar ao caos de onde saiu, meus móveis, com o passar dos dias, retornaram ao seu comportamento caótico de sempre, trazendo junto toda a falta de educação que, juro, não sei de onde tiraram.

Já não agüentando mais a zona de guerra em que se havia tornado novamente minha residência, decidi dar um fim naquilo tudo de um modo mais criativo. Sabendo que a força bruta e as ameaças possuem um efeito temporário, decidi atacar nas causas mais básicas da desordem emocional que aflige meus pertences.

Observando o dia-a-dia de meus móveis, pude constatar que o grande mal deles é simplesmente a falta de atividades criativas que acomete suas vidas. Elas passam o dia todo na mesma posição, sem nada para fazer além de sustentar outros objetos e esperar que as horas passem, em um interminável ciclo diário de profundo tédio e falta de perspectivas.

Pensando assim, não é sem razão que parecem enlouquecidos. Sim, meus móveis parecem profundamente entediados, a ponto de alguns deles caírem em profunda depressão e entregarem seus corpos aos dentes dos cupins sem oferecer resistência (se é que cupins possuem dentes). Pode soar incrível, mas o ataque dos cupins está diretamente ligado à situação psicológica dos objetos.

Por questões humanitárias (afinal, mesmo não sendo um ser humano, todo objeto é um ser vivo) e financeiras (vocês já viram a que alturas andam os preços dos móveis atualmente?) botei firme propósito em minha mente e decidi resgatar meus objetos da demência que os anos de tediosa tortura psicológica impingiu-lhes.

Iniciei minha pesquisa a respeito de qual atividade tornaria suas existências mais felizes com meu criado-mudo (que, como já disse, não é meu criado e que tampouco é mudo). Este móvel, típico representante da classe dos gozadores das caras alheias, é, dentre todos os outros de minha residência, o mais irritante quando entediado. Em vez de entregar-se aos cupins, ele transforma toda a sua frustração em sarcasmo e ironia contra tudo e contra todos ao seu redor, tornando o ambiente um poço de mal-estar aos que ali estão. Fazendo isso consegue deixar os outros em uma situação pior do que aquela em que se encontra, o que parece trazer-lhe grande contentamento.

Perguntei-lhe sobre o que gostaria de fazer para alegrar sua existência. Com sua falta de coerência tradicional e seu mau-humor habitual, respondeu-me com alguns impropérios, procurou humilhar-me perante os outros móveis, procurou humilhar os outros móveis perante mim, falou os podres de todos e a todos contou sobre seus próprios podres, terminando por não me responder a questão. Sei que ele não é um mal sujeito, e que, debaixo daquela capa de rebeldia, existe um bom e afetuoso móvel, embora muitas vezes eu tenha vontade de parti-lo em mil pedaços, fazer uma fogueira, e dançar em volta.

Deixei-o e fui perguntar o mesmo ao cabide, que me respondeu:

- Veja bem, caro Alex, veja bem. Até parece, meu caro, que você, veja bem, não entende nada de móveis, tenho dito. Você, meu caro, não sabe que para nós, veja bem, nada é mais prazeroso do que falar, meu caro? Sentimo-nos vivos, meu caro, quando podemos, veja bem, soltar nossas vozes, meu caro!

Pareceu-me bem sincero o cabide, e pareceu-me também que essa era a opinião geral, mas, apesar disso, eu não podia simplesmente deixá-los continuar a falar daquele jeito, pois estariam seguindo sua infernizante rotina de mútua-agressão. Eu necessitava, isso sim, transformar essa vontade toda em algo construtivo. Mas como?

Passei algum tempo meditando sobre esse complicado problema e acredito ter encontrado uma solução eficaz. Tentei convencê-los de que cantar, ao invés de falar, iria trazer-lhes grande alegria, pois seguramente a música acalma as feras e eles andavam ferozes ultimamente.

A idéia inflamou suas curiosidades e logo iniciaram a formação de um coral. Dividiram os componentes pelas características vocais e pelos timbres. Separam os tenores, os baixos, as sopranos, e as demais vozes. E, mesmo não entendendo nada de música, selecionaram suas canções preferidas e começaram a estudá-las com afinco.

Nunca antes eu os havia visto em tamanha união e alegria. Colaboravam entre si e comportavam-se com extrema educação, como se uma grande onda de felicidade tivesse desabado sobre suas cabeças (metaforicamente falando, pois geralmente eles são sem pé nem cabeça).

E cantaram. Oh! Sim, cantaram. E ficaram cantando e catando. E depois de tudo ainda reuniram o que sobrou de suas forças e cantaram mais um pouco. E estão assim desde aquele dia, parando somente tarde da noite, quando o sono os abate. Assombra-me grandemente o fato de nenhum vizinho ter vindo até minha casa e reclamado dos fenômenos acústicos que meus móveis produzem e que, ingenuamente, chamam de música.

Quanto a mim, sinceramente, só me é possível suportar tamanho terror auditivo com o auxílio de protetores auriculares e abafadores acústicos, dispostos em três camadas sobre meus ouvidos. Apesar de tudo, prefiro ainda escutar seus cantos a ouvir as barbaridades que proferiam antes disso. Ao menos agora eles estão convivendo em harmonia.

A bem da verdade, eles até que não são nada desafinados, somente não possuem muita noção de conjunto para formar um coral, supondo-se, é claro, que o ideal seja que todos cantem a mesma música no mesmo compasso.

Mas enfim, não se pode mesmo querer tudo.

* Para aqueles que não lembram do primeiro conflito registrado no meu blog, deixo aqui um atalho para direciona-los ao passado e assim poder compreender toda essa história. http://apenasumqualquer.blogspot.com/2011/03/o-dia-em-que-casa-quase-caiu.html

FÁBULAS ALUCINADAS

O Colecionador



Era uma vez um homem que não sabia fazer outra coisa na vida senão colecionar. Colecionava de tudo, não importando se belo ou feio, novo ou antigo, caro ou barato. Sua motivação era somente ajuntar peças de todas as procedências, cores e tamanhos em uma interminável sucessão de aquisições, tarefa na qual despendia todo o seu tempo, dinheiro e esforços.

Apreciar suas coleções era como olhar para um resumo do mundo. Havia peças de todos os continentes e de todas as civilizações que existem ou que já existiram. Elas enchiam cada cômodo e cada canto de sua gigantesca e maravilhosa mansão. Ocupavam cada centímetro útil do piso, das paredes e do teto. Quase não era possível mover-se por entre elas.

Esse homem, descendente de uma incrivelmente rica e tradicional família, havia gastado em sua insana obsessão praticamente toda a inacreditável herança que recebera. Fábricas, imóveis, ações, tudo era posto em segundo plano quando confrontado com seu desejo por colecionar. A fortuna que ainda lhe restava seria considerada fenomenal para qualquer milionário comum, mas não para ele.

Enchia-se de pavor só por pensar na possibilidade de não ter mais dinheiro para gastar com suas coleções. Vivia com os nervos à flor da pele imaginando que um dia iria desejar algo que não poderia ter. Além disso, como suas coleções tornavam-se cada vez mais imensas e valiosas, começou a temer continuamente pela segurança de seus mais preciosos bens.

A loucura começou a tomar posse de sua egocêntrica mente. Com o tempo, passou a sentir insegurança quando perto de outras pessoas. Já não as via mais como seres humanos, somente como possíveis predadores de suas idolatradas coleções.

Já não conseguia sair à rua, com medo do que pudesse ocorrer com seu tesouro durante sua ausência. Tudo que comprava era por intermédio de terceiros. Ninguém mais via seu rosto há anos, nem mesmo seus criados, pois despediu a todos e passou a viver recluso em sua mansão cercada por ferozes cães.

Uma vez por semana, recebia seus mantimentos e suas novas aquisições através de seu único empregado, o caseiro, que morava em um pequeno chalé nos fundos do terreno e que tomava conta da propriedade. Ele era a única criatura humana com permissão de se aproximar da casa. Confiava nele, pois acreditava que sendo ele surdo-mudo e sofrendo ainda de um pequeno grau de deficiência mental, jamais tentaria algo contra seus preciosos pertences. Mesmo assim, nunca permitia sua entrada na residência, e só se comunicava com ele esporadicamente e através de bilhetes.

E assim viveu por muitos anos empilhando seus novos objetos uns sobre os outros. Já não conseguia encontrar um bom local para acomodá-los, pois não tinha bom preparo físico para escalar escadas e prendê-los devidamente. Contentava-se em acrescentá-los à sua lista de aquisições e amontoá-los em inseguras montanhas.

Certo dia, ao andar pela sua casa, deixou acidentalmente cair um livro de suas mãos. As insignificantes ondas de choque causadas pelo minúsculo impacto do livro com o chão foram suficientes para que todas as instáveis pilhas que se haviam tornado suas coleções chacoalhassem como se feitas de gelatina.

Olhou amedrontado para cima e assombrou-se com a montanha que se precipitava sobre ele. Não havia para onde correr, tudo a sua volta parecia implodir em sua direção. Desesperou-se, mas nada pode fazer além de contemplar a chuva de objetos que o cobria.

Imobilizado pelas toneladas de artefatos que o circundavam, gritava por socorro. E assim o fez até que sua voz acabou. Mas ninguém podia ouvi-lo. Ele havia sistematicamente afastado a todos de sua convivência. O único que poderia ajudá-lo, seu caseiro surdo-mudo, continuava seu trabalho no jardim, regando as flores, cortando a grama e alimentando os cães, tudo isso sem nem mesmo suspeitar do que acontecia a poucas dezenas de metros dentro daquela casa. E não suspeitaria muito cedo, pois era comum seu patrão ficar mais de uma semana sem se comunicar.

O pobre e paralisado homem passou então a recordar as pessoas que viviam naquela mansão, seus empregados e seus parentes. Recordou como era boa a sua vida quando a casa estava sempre cheia de gente e de movimento. Sentindo aquele sepulcral silêncio que o permeava, imaginou como somente um sinal, um simples aviso de uma daquelas pessoas que tão brutalmente enxotou de sua presença poderia salvá-lo de sua indescritível tortura.

Mas não havia ninguém. Estava só. E naquela estática solidão foi implacavelmente afligido pelo destino que buscou com as próprias mãos. O terror parecia-lhe infinito dentro de cada minuto, e os minutos amontoaram-se e formaram horas, e as horas amontoaram-se e formaram dias. E por três dias permaneceu em seu abissal tormento.

Mortalmente desidratado já não sentia mais seu corpo. As cãibras que o tomavam e o deserto em que se havia tornado sua garganta já não o incomodavam mais. Sentia que sua provação chegava ao fim.

E naquele instante, segundos antes de morrer soterrado em seu fabuloso mausoléu, lembrou com remorso de todos os dias de felicidade que tivera com sua família e amigos nesse mundo, olhou gelidamente para seus inúteis objetos e, num último lamento, desprezou-os do fundo de sua alma.

A história de Apenas um Qualquer. Capítulo VIII

A Descoberta do Fogo


No final de minha média infância*, muitos elementos da natureza, corriqueiros até, passaram a despertar minhas mais profundas curiosidades. O mais significativo deles foi, sem dúvida nenhuma, "o fogo".
Até então, não parecia haver maiores atrativos naquela bruxuleante entidade que os antigos consideravam como uma das substâncias básicas da ordem natural, juntamente com a água, o ar e a terra. Todavia, de uma hora para outra e sem nenhum aviso, uma irresistível obsessão inundou minha mente. Não havia força nesse mundo que me conseguiria impedir de disseminar as hipnóticas chamas por onde quer que os meus pés pisassem.

Passei a incendiar todos os objetos combustíveis que meus olhos pudessem encontrar e minhas mãos pudessem alcançar. Obviamente não carbonizaria nenhum documento importante de meus pais, ou algum móvel ou tapete da casa (minha obsessão era forte, mas não era autodestrutiva). Entretanto, a incineração foi o destino de tudo o que parecia não ter mais serventia. Tornei-me um mestre na arte de reduzir os elementos a cinzas.

Tal incendiário virtuosismo cobrava o seu preço. Não havia mais emoção na queima de simples caixas de papelão, não havia mais satisfação em observar os objetos de plástico, couro ou outros materiais ardendo nos fundos de meu pátio. Minha alma ansiava por um desafio maior, algo que mostrasse ao mundo meu flamejante ofício e desse sentido à minha piromaníaca existência.

Procurei pelo objeto que encarnaria a minha mais nova e destrutiva obra. Vasculhei pelas ruas de minha vizinhança, mas nada encontrei que me estivesse acessível. Já estava pensando em desistir da alucinada busca quando, para minha absoluta surpresa, percebi que havia uma árvore na calçada, entre o nosso terreno e o do vizinho, que possuía todas as qualidades essenciais para o meu intento. Ela era uma grande e velha árvore semi-oca, forrada com a serragem de seu apodrecido cerne. Não poderia ser melhor!

Era início da noite de um quente dia de domingo e a umidade do ar era baixa, o que certamente tornaria o espetáculo mais grandioso. Aproveitei-me do baixíssimo movimento na rua e dei princípio ao pirotécnico evento. Entrei correndo para dentro de casa e, numa fresta da janela, pus-me a observar minha criação. Em pouco tempo o fogo tomou conta do ressequido vegetal e as labaredas tomaram as alturas.

Mal cabia em mim de tanta emoção. O fabuloso archote gritava ao mundo minha conquista. E a noite se fez dia. Como um radiante farol, atraía os olhos dos que passavam e declarava a imortalidade de meus feitos. E quem tinha olhos, viu.

Pude ver o pavor e o assombro nas faces dos transeuntes. Sobretudo quando o fogo, que alcançava vários metros de altura, consumiu o encapamento da fiação da rede de distribuição de energia elétrica, e lançou os eletrificados condutores em um terrível balé de curtos-circuitos e faíscas.

O prodigioso espetáculo atingira sua apoteose. Nem mesmo Nero presenciara tamanho esplendor.

Em pouco tempo, as forças policiais e corpo de bombeiros chegaram ao local para controlar o que pensavam ser um misterioso incidente. Quase imediatamente, voei para baixo de minha cama e lá permaneci por muito tempo, meditando sobre meu ato e a relação custo-benefício de minha obsessão.

Devo admitir que as reações da população local me surpreenderam e, embora nunca tenham descoberto o autor do lendário feito, meus instintos incendiários foram duramente sufocados. Contudo, ainda me restara um pouco. E, juntamente com uma caixa de fósforos, ateava um foguinho aqui, um foguinho ali, coisa pouca, mas suficiente para acalmar minha maníaca vontade.

Certo dia, ao entrar em uma peça anexa a nossa casa (um pequeno galpão que existia na época) percebi que havia uma pilha de jornais e revistas em cima de uma mesa, pilha que quase alcançava o forro, feito de madeira. Procurei em meu bolso e lá estava ela, minha companheira, a caixa de fósforos.

Automaticamente lancei a pequena chama na lateral da pilha, para, logo em seguida, apagá-la. Não era minha intenção iniciar um fogo de maior tamanho naquele local, queria simplesmente chamuscar as pontas dos jornais. E fui brincando, e cada vez que ateava fogo nas folhas demorava mais para apagá-lo, só para exercitar meu controle sobre as chamas.

Obviamente o inevitável aconteceu. Em certo momento, minhas habilidades foram insuficientes para controlar as labaredas e o fogo começou a se espalhar pilha acima, incontrolavelmente. Lembranças daquele marcante dia com a árvore vieram à minha mente. Eu já podia até ouvir as sirenes dos bombeiros e da polícia em frente à minha casa.

Despenquei em profundo desespero. Estava sozinho e não fazia a mínima idéia de como controlar aquela besta selvagem que ameaçava consumir meu lar. Para minha mais redentora sorte, havia uma mangueira estrategicamente posicionada de modo a que eu tropeçasse nela. Sem dúvida não era meramente obra do acaso (nenhum lunático acredita no acaso).

Saí enlouquecidamente à procura de uma torneira com adaptador para mangueira, o que miraculosamente encontrei bem ao lado do galpão (normalmente minha mãe retirava esses adaptadores, o porquê eu não sei).
Consegui apagar o fogo bem a tempo de o impedir de queimar o teto.

Totalmente encharcado e ainda trêmulo, refleti sobre esse desesperado acontecimento. Pude constatar que me havia curado completamente da incendiária obsessão. A partir daquele dia troquei de elemento favorito, passei de admirador do fogo para fã incondicional da água.

De fogo, bastava-me o do fogão.


*Divido minha infância em baixa (0-3 anos), média (4-7 anos), alta (8-11 anos) e altíssima (12 anos em diante), para fins de enquadramento histórico.

Desvendando o símbolo perdido

Seguindo a série Apenas um qualquer Vídeo, hoje postarei um vídeo sobre uma das sociedades secretas mais famosas, a Maçonaria, com certeza muitos já ouviram falar dela e seus muitos membros. Então vamos um simples resumo.

Maçonaria (forma reduzida e usual de franco maçonaria) é uma sociedade discreta e por discreta, entende-se que se trata de ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam de carácter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciativa e filosófica.
Portanto a maçonaria é uma sociedade fraternal que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição, aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução de suas virtudes.
Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autónomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas e corretamente designadas) lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si."
Existem, no mundo, aproximadamente 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Destes 3,2 - (58%)- nos Estados Unidos - USA, 1,2 -(22%) - no Reino Unido e 1,0(20%) no resto do mundo. No Brasil são aproximadamente 150 mil maçons regulares (2,7 %) e 4.700 Lojas.

Depois deste breve resumo, seguirei postando um vídeo da Discovery Channel falando sobre a Maçonaria.



Então é isso meu povo, comentem o que acharam sobre o vídeo e digam suas opiniões sobre essas sociedades secretas. Até mais!!
 
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